Uma viagem pela Russia. A influência do país na criação de um dos champagnes mais badalados da história: Cristal de Louis Roederer.

Fonte Foto: Wikipedia

Czar Alexandre II – Fonte Foto: Wikipedia

Grandiosidade. A palavra que encontrei para definir a Rússia. Além das dimensões continentais do país, os enormes prédios, monumentos, o espetáculo de cores das igrejas gigantes, as ruas, o metrô, o acervo de obras de arte do Hermitage, o rio Neva que banha St. Petersburgo, tudo é grandioso, seja pelas dimensões, pela beleza ou pela riqueza.

Lá descobri que a palavra bolshoi, além de ser o nome do famoso teatro que conhecemos, é também a tradução para o adjetivo “grande”.

O vinho, mais espeficicamente o vinho espumante, foi o fio condutor desse passeio pela história e pela grandiosidade e riqueza russa.

Não é preciso usar a imaginação para viajar no tempo e alcançar a época do Império, quando a Russia liderada por gerações e gerações de Czares era a grande potência mundial. Enquanto a maior parte da população vivia praticamente em um sistema de escravidão, suportando o frio e a miséria, a realeza dispunha de uma fortuna perceptível até hoje.

Basta um passeio pela praça Praça Vermelha em Moscou para compreender que somente um país com tamanha fortuna poderia encomendar essas construções que nos fazem olhar para cima e nos arrepiarmos. Quando retornei perguntei à uma joalheira qual é o material utilizado no detalhe redondo que fica em cima das tantas torres que vi. A resposta foi: ouro, claro. Mas esse luxo não está apenas do lado de fora. Por dentro revestimentos e afrescos emocionam de tanta beleza.

KremilinAlguns Czares têm hoje reconhecimento especial por seus feitos. E a história da Russia com os vinhos espumantes começa com um deles: Alexandre II. Conhecido por suas reformas liberais e por agir favoravelmente à modernização e renovação da cristalizada sociedade russa. Foi ele que em 1861 decretou o fim da servidão no país libertando cerca de 22,5 milhões de camponeses servos, apesar de ainda preservar o sistema de propriedade dos latifúndios.

Esse Czar apaixonado por Champagne encomendava garrafas e mais garrafas da frança para se deleitar. Mais específicamente, os Champagnes produzidos por ninguém menos que Louis Roederer, que assumiu a Maison em 1833.

Fobte: Wikipedia

Louis Rouderer – Fonte: Wikipedia

Devido ao seu posicionamento controverso, Alexandre II semeou diversas inimizades. Paranóico com o medo constante de ser morto, o Czar encomendou à Roederer a criação de um Champagne exclusivo para a sua família (Romanov) que fosse engarrafado em vasilhames transparentes, translúcidos, de modo que o líquido pudesse ser visto, reduzindo a possibilidade de envenenamento. (Tradicionalmente as garrafas de champagne eram e ainda são escuras).

Foi assim que nasceu a Cristal. Um ícone de tradição e sofisticação, presente nos ambientes mais badalados do planeta e a bebida preferida dos bilionários e celebridades até hoje. Para se ter uma ideia de preço, encontrei no site do Duty Free do Brasil uma garrafa por US$ 409 (e olha que não estamos falando de um vintage, cujo preço seria muito superior). Diz a lenda que o Czar ordenava que as garrafas, na época, feitas com o mais puro cristal Baccarat, fossem quebradas quando vazias.

Champagne Crystal

Champagne Crystal

Verdade ou não, o fato é que ao se tornar fornecedor oficial da corte russa, Roederer aumentou e muito suas vendas. O trabalho continuou e o francês marcou a história da região da Champagne até os dias de hoje. Atualmente após diversas aquisições de outras pequenas maisons, a casa além de contar com o incrível terroir da Champagne possui em seu portifólio de produtos espumantes Grand e Premiers Crus. O topo da classificação dos vinhos dessa região.


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