Tubo de ensaio: Harmonização simples e leve para o verão.

Foto: Karen Ferrari

Às vezes o final de semana embola. Comigo isso é freqüente. Quero fazer tudo. Quero pedalar, visitar as crianças, resolver coisas, ver amigos e o almoço vai ficando lááá para o final da tarde. Quando o estômago dói e o humor amarga.

Sábado foi assim. Cheguei em casa esfomeada e decidi preparar um prato rápido pois os amigos estavam chegando para uma degustação de dois brancos espanhóis que eu ainda não conhecia.

No final das contas o prato ficou pronto quando as visitas chegaram e, sem querer, aproveitei a oportunidade para testá-lo com os dois vinhos. Grata surpresa! Consegui sem querer encontrar uma linda harmonização, daquelas que o vinho cresce com a comida, sabe? Isso tudo com uma receita e um rótulo nada rebuscados.

Essa dica é uma ótima opção para os dias quentes de verão e para quem não quer passar horas na cozinha, mas é atento aos pequenos prazeres do cotidiano e sabe apreciar o charme da simplicidade.

Bom, o prato foi um spaghetti com brócolis, uma receita que inventei: manteiga + azeite na panela + temperinhos para dar sabor + brócolis (uso aquele japonês). Pegou o sabor? Coloque a massa + queijo ralado na panela. Está pronto! Costumo colocar nós moscada mas dessa vez não tinha na dispensa. Ah! Coloque mais um fiozinho de azeite para finalizar. Foi essa untuosidade que casou bem com a acidez do vinho.

Testei dois vinhos: o primeiro, ganhei de um amigo. Era o Emina 2010, 100% produzido com a uva Verdejo, D.O. Rueda (Espanha), onde essa uva é um grande ícone dos brancos. 

O segundo estava na adega há tempos, não apostava quase nada nesse vinho mas como tratava-se de um corte de Verdejo com Viura, resolvi abrir para comparar: Arco de La Vega 2010 de La Tierra de Castilla Y Léon. É produzido dentro da mesma região (Castilla Y Léon), mas fora das D.O.s (Denominação de Origem).

Bom, o Emina 2010, discretamente frutado e cujas características são muito mais européias (sem aquela explosão de aromas que pulam para fora da taça) casou perfeitamente com meu prato! A receita que não tem um sabor muito pronunciado encontrou com a bela e equilibrada acidez do vinho, que valorizou seu sabor. O brócolis saltou e ganhou mais vida na boca. Assim como o vinho! Adoro quando isso acontece! O vinho deu uma leve adocicada, o que o fez mais presente. Uma delícia.

Já o Arco de La Vega era muito mais perfumado, talvez um vinho um pouquinho mais cansativo, apesar de bem melhor do que eu esperava. Mas com o prato não harmonizou tão bem quando o outro.

Pratique harmonizações! Está vendo como é fácil? Não precisa de pratos rebuscados nem de frescura. É apenas uma brincadeira. Deliciosa, diga-se de passagem!


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