Sabe como surgiu o “Mis en Bouteille”?

Foto: Karen Ferrari

Ao escolher um vinho, principalmente quando não o conhece, uma boa dica é procurar pela frase que muitas garrafas trazem no rótulo: Mis en Bouteille ou “produzido e engarrafado” pela vinícola. Isso assegura que o líquido foi engarrafado no próprio vinhedo onde as uvas foram produzidas e vinificadas, o que significa que passeou menos para lá e para cá e que, sobretudo, não escapou da supervisão dos seus produtores e criadores.

Ontem a noite, ao continuar minha leitura do livro A Dinastia Rothschild de Herbert R. Lottman que já comentei aqui, descobri a origem dessa prática! Fique com um trecho dessa publicação deliciosa e obrigatória para quem gosta de vinho e de cultura:

“E, ainda assim, não tinha encontrado o trabalho de sua vida. Com diploma de doutorado – sendo filho de Henri, ele seria obrigado a ter um – em física e matemática, ele fez pesquisa de pós-graduação em óptica. Já na década de 1920, seu pai o tinha despachado para o vinhedo da família em Bordeaux; o jovem cientista que fazia papel duplo de homem do mundo talvez soubesse o que fazer com o venerável Château Mouton-Rotschild. Acima de tudo, o lugar precisava ser repaginado, e nesse caso isso significava aplicar técnicas modernas para aprimorar tanto a qualidade quanto a reputação do famoso tinto. Ele não considerou o trabalho concluído até ter feito campanha junto às autoridades para mudar a tradicional classificação de Bordeaux do Mouton de Second Cru para Premier Cru – que ele certamente merecia.

Na época em que a ramificação da família de Henri estava pronta para colher os benefícios do Mouton renascido, a depressão da década de 1930 estava matando o mercado de vinho. O marqueteio que existia em Philippe veio à tona. Ele inventou a primeira “marca” de Bordeaux, um eco do elegante Mouton-Rotschild, pelo menos no nome; na verdade, seu Mouton-Cadet era uma mistura de vinhos inferiores. Mas o rótulo soava bem e cobria um produto que quase todo mundo tinha dinheiro para comprar. Ao mesmo tempo, ele começou a adquirir vinhedos vizinhos, a partir de 1933, como o Château d’Armailhac.

Naqueles anos, até os melhores vinhos eram entregues a intermediários para a comercialização; Philippe resolveu engarrafar o seu por conta própria, uma prática que posteriormente seria corrente para os produtos mais refinados do mercado. Ele ainda numeraria suas garrafas e contrataria artistas conhecidos para desenhar os rótulos. Antes do fim da vida, Philippe era uma celebridade, papel assumido com facilidade por seu sucessor e sua filha, atriz da Comédie Française que usava o nome de Philippe Pascal.”


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