Não é um quadro do Lichtenstein, é um rótulo de vinho.

Foto: Karen Ferrari

Muitas pessoas já devem ter experimentado esse vinho que foi entregue por um desses serviços de assinatura de vinhos no final do ano: Crash Red 2011. Até a semana passada ainda não havia degustado, mas já vi o rótulo circulando por alguns blogs, sites e revistas por aí.

É óbvio que apesar de ser ex-publicitária eu caio no encanto da linguagem visual e, sim, não resisto e me deixo seduzir pelas capas de livros e rótulos de vinhos. Pronto, assumo!

Nesse caso, como não havia pesquisado o vinho previamente, só de bater os olhos estava imaginando encontrar um vinho norte americano que pagou uma fortuna de direitos autorais para usar uma obra do Linchtenstein no rótulo, artista que eu adoro, by the way!

Para a minha alegria, semana passada fui tomar um vinho na casa do pai de uma amiga e ele apareceu com essa garrafa na mão.

Surpresa 1:

O vinho é espanhol e produzido pela vinícola Pago Los Balancines, na região da Extremadura, onde produtores têm feito investimentos e conquistado mercados internacionais. A Denominação de Origem é a Ribera del Guardia criada em 2001.

De fato a apropriação da linguagem da Pop Art (inspirada no Linchtenstein, mas a ilustração não é dele) foi uma estratégia de marketing para atrair consumidores que aceitam a transgressão da linguagem do vinho que no Velho Mundo (Europa) ainda é bastante sóbria e tradicionalista.

Ok. Como sou da geração do finalzinho da Ditadura, eu aceito as transgressões! Vamos ao vinho de peito aberto.

Ah! Outra coisa: Nem é preciso falar que ele é destinado aos jovens, para se divertirem ao consumi-lo, fácil de beber  e, portanto, não tem a pretensão de apresentar muita complexidade, apesar do produtor reforçar a questão da qualidade ao mencionar a colheita manual, por exemplo. Prova disso é que Pedro Mercado, proprietário da vinícola entregou o prêmio Crash ao cantor Kiko Veneno durante a festa do Prêmio Pop-Eye, destinado a reconhecer a música e a criação independentes em diversos campos da arte.

Surpresa 2:

Deixei os meus sentidos livres de influência e não quis saber quais eram as uvas do corte desse vinho. O primeiro aroma que senti foi o de especiarias. Algo perto da páprica. Sabe aquele aroma de banca de temperos de mercado, que tem um monte de cheiros misturados? A minha amiga e o pai dela além de não encontrarem esse aroma ainda esbravejaram “Não consigo sentir nada dessas coisas que você fala!”. Mas depois da indução eles disseram sentir (talvez para me agradar, rs). Logo vieram as frutas vermelhas e a coisa ficou nesse looping: especiarias, frutas vermelhas, especiarias, frutas vermelhas, até as especiarias desaparecerem e restarem somente as frutas.

Saí de lá questionando o meu nariz. Será que me deixei influenciar pelo molho da massa que estava sendo feito na cozinha? Mas na hora, para tirar a dúvida eu fugi da cozinha! Meu Deus! O que está acontecendo com o meu olfato? Mas as especiarias estavam tão claras na taça…

Juro que fiquei preocupada. Mas ao pesquisar a composição desse vinho, descobri que há 25% de Syrah, uva que na Europa pode apresentar esse tipo de aroma. Ufa! Tudo certo com o nariz. Aliás, gostaria de saber se alguém mais encontrou esse aroma. Bom, além da Syrah, ele tem 25% de Tempranillo, 25% de Garnacha Tintorera e 25% de Garnacha Negra e não passa por barrica. Seus 6 meses de descanso acontece em tanque de cimento.

Na boca é bastante fresco (leia: tem uma acidez bem presente). Minha única crítica é o álcool que se faz perceptível além do desejado.

Ainda assim gostei do vinho. Me diverti com ele. Era essa a proposta, não era? Então divirta-se com a música do Kiko Veneno que para mim também é novidade:


  1. by Nadia Jung on 21 de janeiro de 2013  6:14 PM

    PRA VARIAR:`` BOA DEMAIS ESSA POSTAGEM!!!``

  2. by karen on 30 de janeiro de 2013  12:19 PM

    Obrigada!

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