Louca por Loco

Fico pensando como é louca a maneira como as informações chegam até nós, se organizam na cabeça e ao longo do tempo são digeridas, complementadas e lapidadas. A história do Loco, para mim é um exemplo disso. Há mais de dez anos fui à locadora e aluguei o filme A febre do Loco. A sinopse era mais ou menos assim: “Puerto Gala é uma pequena aldeia de pescadores no Sul do Chile. Pacato, o vilarejo entra em ebulição quando chega o período de pesca do “loco”, um molusco com propriedades afrodisíacas vendido a preço de ouro em grandes metrópoles. Carlos “El Canuto”, um ex-morador de Puerto Gala, volta ao vilarejo com uma tentadora proposta: comprar todo o estoque de “loco” pelo dobro do preço, para uma única companhia japonesa. O lugar vira um verdadeiro mercado livre, onde comerciantes e prostitutas aparecem aos magotes para abocanhar um pouco da dinheirama prestes a ser distribuída”. Gostei e fiquei curiosa sonhando em algum dia experimentar essa iguaria que até então não conhecia. Alguns anos se passaram e em 2007 fui ao Chile para conhecer a região dos lagos e a Patagônia. Uma viagem que recomendo à todos, aliás. Me deparei com espetáculos da natureza, ótimas estradas, pessoas simpáticas, receptivas e uma diversidade gastronômica imensa.

Fonte: en.wikipedia.org

Fonte: en.wikipedia.org

Bom, mas naquela época eu tinha um paladar extremamente restrito. Para se ter uma ideia, recebi até o apelido “menu kids”. Frutos do mar e pescados raramente passavam pela minha boca. Mas logo no início dessa viagem fui jantar em um restaurante em Puerto Natales, no sul do país. Ao abrir o cardápio me deparei com ele: O Loco! Na hora lembrei do filme e não resisti, pedi o prato mesmo correndo o risco de não gostar. Não me lembro de como era feito nem servido. A única coisa que registrei foi que adorei. Me tornei fã de Loco.

Mais sete anos se passaram e na semana passada participei de um evento de vinhos chilenos, o Top WineMakers Chile sobre o qual falei aqui e aqui. Foram dois dias visitando todas as regiões produtoras do país, sendo que para cada uma delas não só os vinhos eram apresentados e degustados, como também uma imensidão de informações sobre a cultura, turismo e gastronomia. Esse último tema (gastronomia) foi exposto pelo sommelier Marcelo Pino, chileno cheio de energia de sotaque carregado, com uma vasta experiência na bagagem. Dentre os 16 itens de suas credenciais estão: Primeiro e único chileno a obter Certificação internacional da Court of Master Sommelier em Buenos Aires – Argentina (2011), Ganhador do Concurso Melhor Sommelier do Chile (2011), No.8 da América, segundo o ranking ASI Melhor Sommelier das Américas e No.26 do mundo segundo ranking ASI Melhor Sommelier do Mundo Tókio – Japão 2013. Não resisti. Foi para esse fera que perguntei sobre a harmonização de vinhos com Loco. A resposta está aqui, com exclusividade:

 

Para quem compreende bem o idioma, o filme A Febre do Loco está no YouTube e pode ser visto aqui. Caso contrário, vi que está disponível para locação na 2001. E se estiver planejando as próximas férias, que tal a Patogônia chilena?

 


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