A invenção da sala de jantar.

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Sala de jantar do Palácio de Versailles usada por Louis XV e por Luois XVI junto à Marie-Antoinette em jantares promovidos à convidados mais íntimos. Fonte: ritournelleblog.com “The secrets of Versailles”

Há coisas tão óbvias no dia a dia que às vezes nem pensamos em perguntar: Quando, onde e por qual motivo isso surgiu? A sala de jantar é uma delas. Acidentalmente ao realizar uma pesquisa histórica sobre Champagne acabei descobrindo a origem da sala de jantar em uma entrevista com o historiador de vinhos Alexandre Loire no video abaixo do canal Museum Secrets. Resolvi compartilhar a história devido ao curioso papel que o Champagne desempenhou na criação da sala de jantar, por uma única característica: ser portátil! Um aspecto da bebida desvinculado à ideia de celebração que ainda é estreitamente relacionada ao consumo dos espumantes.

Assim nasceu a sala de jantar. O historiador conta que após a morte de Louis XIV em 1715, a vida em sociedade na corte francesa mudou rapidamente. Nessa época as pessoas eram muito livres em seus pensamentos e na relação com seus corpos. A maioria muito jovem, perdeu seus pais, irmãos mais velhos e tios nas guerras promovidas pelo “Rei Sol”. O que então realmente os interessava, era curtir a vida: Diversão. Um dos hábitos frequentes eram os jantares, mas junto ao que realmente buscavam: Privacidade para poderem falar e fazer aquilo que desse vontade. Os grandes cômodos abertos à todos que abrigavam as refeições foram então substituídos por outros menores e fechados. Assim nasceu a sala de jantar, cômodo não encontrado em palácios e castelos da França até essa época.

 

Champagne, a bebida portátil. A bebida que virou moda nesses eventos foi o Chapagne. Diferente do que estamos habituados, a maioria dos vinhos tranquilos (sem borbulhas) servidos na corte não eram engarrafados. Ficavam estocados em barricas. Para o abastecimento da bebida durante os jantares, era necessário que um serviçal fosse até o depósito do palácio preencher a jarra. O Champagne, no entanto, era e é diferente. Parte do método da sua elaboração é uma segunda fermentação que acontece dentro da garrafa. Nessa etapa o CO2 liberado pela ação das leveduras é contido por meio de uma tampa, formando as borbulhas. Era impossível armazenar Champagne em barricas, portanto essa sempre foi uma bebida portátil: estocada em garrafas individuais e fácilmente transportáveis e guardadas em qualquer cômodo.

“Le seul vin qui laisse la femme belle après borre”. No reinado seguinte ao de Louis XIV, o Champagne manteve a preferência. Dessa vez, devido à um outro fator. Luis XV era um rei que se interessava muito pelas mulheres. Os vinhos de Champagne não continham muito álcool, considerados portanto muito adequado à elas. Além disso, uma de suas célebres amantes, a Madame de Pompadour costumava dizer que eram a única bebida que permitia que as mulheres permanecessem bonitas depois de beber.

Ao contar essa história foi impossível não lembrar da canção do grupo O Mutantes, Panis et circenses, que agora passou a fazer ainda mais sentido! Então aproveite essa versão ao vivo gravada por um canal de TV francês em 1969. Salut!


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