A degustação que participei na embaixada da França em Lisboa

Foto: Karen Ferrari

Em julho desse ano fui gentilmente convidada pelos Goliardos Silvia e Nadir, sobre os quais já falei aqui, à participar de uma degustação de rótulos selecionados à dedo por eles, que têm como foco encontrar vinhos que exprimam seu terroir, ou seja, vinhos extremamente bem feitos, pequena escala de produção e muita personalidade.

Um verdadeiro deleite de vinhos franceses e de boas conversas com seus produtores ao cair da tarde très agréable no jardim na embaixada da França em Lisboa, que tem o Tejo como pano de fundo.

Foto: Karen Ferrari

Foto: Karen Ferrari

Como vinho é a porta de entrada para um banho de cultura, não posso deixar de falar do prédio da embaixada, o Palácio dos Santos ou Palácios dos Marqueses de Abrantes, como também é conhecido.

Foto: Karen Ferrari

Situado em cima de uma colina à margem do rio, esse terreno de localização estratégica já era ocupado durante o período Romano. Desde 1194 o local já passou de mão em mão, tendo pertencido à Igreja como monastério, à coroa como residência real, à aristocracia portuguesa até ser alugado em 1880 ao Ministro da França em Lisboa, Conde Armand, e ser comprado por esse país em 1909. (Saiba mais aqui)

Faça uma viagem de arrepiar pelo palácio:

Agora que já entrou no clima, vamos aos vinhos! Como eram muitos produtores, selecionei os que mais gostei e falarei hoje sobre alguns e amanhã sobre os restantes:

1. Domaine André Rieffel – Mittelbergheim, Alsácia

Lucas Rieffel com apenas 35 anos, lidera hoje a vinícola familiar. Suas vinhas estão plantadas nos Grand Cru Zotzenberg e Wiebelsberglidera e toda a produção é tratada com a viticultura orgânica. Dois dos seus vinhos me arrancaram sorrisos de alegria tamanha a tipicidade dos aromas. Recomendo muito!

Foto: Karen Ferrari

Grand Cru Zotzenberg Riesling 2010, muito fresco e com uma mineralidade deliciosa. Grand Cru Zotzenberg Gewurztraminer 2010, perfumado na medida certa, com um delicado aroma de linchia, típico dessa uva. Vinhos extremamente elegantes e equilibrados.

Foto: Karen Ferrari

2. Champagne Lahaye – Bouzy, Champagne

Benoît e sua esposa Valérie se incumbem pessoalmente de aplicar o conceito biodinâmico no tratamento de suas uvas. Com o privilégio de localizar-se em Bouzy, aldeia classificada Grand Cru na Montagne de Reims, ocupam praticamente 4,5 ha com videiras de Pinot Noir com uma média de 25 a 30 anos. Esse produtor tem como objetivo valorizar o caráter da fruta ao contrário do restante da região que preza pela expressão dos aromas resultantes do contato da bebida com as leveduras.

Foto: Karen Ferrari

Prestige, que leva o certificado Bio, é um blanc de noir (feito somente de Pinot Noir) extremamente complexo e elegante, fresco e com ótima estrutura. Uma produção de apenas 7.000 garrafas. Encontrei aromas de frutas brancas e mel e, sutilmente um pouco de levedura. Acho que para o paladar brasileiro é perfeito!

Foto: Karen Ferrari

Millésime 2006 é especial! Lembrem que um Champagne só é safrado quando há um ano de colheita excepcional. Caso contrário, as safras são misturadas. Sendo assim, imagine o conteúdo dessa garrafa! Nas minhas anotações desenhei até um sorriso ao lado desse vinho já bastante amadurecido! Trata-se de um assemblage de 30% Chardonnay com 70% de Pinot Noir que descansou 5 anos sur lie (sobre as leveduras), sem fermentação malolática. Fresco, com fruta muito presente no nariz e extremamente sedoso na boca. Ai que saudade…

3. Elian Da Ros – Les Côteaux du Marmandais (região escondida entre Bordeaux e Cahors)

Anote esse nome e saia em busca desses vinhos e de ter uma boa conversa com o simpático casal Elian e Sandrine que também aplicam os conceitos biodinâmicos em seus vinhos.

Abouriou 2010

De todos os vinhos maravilhosos que degustei nesse dia, sem dúvida o Abouriu me surpreendeu por sua peculiaridade. Ele é feito a partir da casta, Abouriou, prima da Gamay, bastante resistente mas pouco conhecida até na frança. É um vinho alegre e muito aberto. Senti amora no nariz e um ótimo frescor (leia, acidez) e taninos extremamente redondos.

Foto: Karen Ferrari

Coucou-Blanc

Esse vinho que leva o nome de um pássaro da região, também recebeu um sorriso em minhas anotações. Sua estrutura o faz bastante gastronômico, ou seja, pede a companhia de um prato! Os aromas são complexos e passam do grapefruit para o abacaxi. Lindo, lindo, lindo.

Foto: Karen Ferrari

Por hoje é só pessoal. Amanhã falarei dos vinhos que faltaram!


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